sexta-feira, 6 de julho de 2012

Cap IV - A Ordem Cósmica



Etevaldo abriu o manuscrito que lhe foi dado por Deise e, ao folheá-lo, o conteúdo lhe pareceu bem familiar. O título já dava uma mostra do que tinha em suas mãos. A história não lhe era de todo desconhecida, mas até então era só suspeita, não podia imaginar que havia registros, evidências fundamentadas daquilo que era objeto de suas pesquisas de anos, quase sempre de fontes indiretas e de ouvir falar. Pelo que me relatou, o documento parecia conter novidades ainda não cogitadas por ele. Nossa conversa ocorreu numa noite tórrida de verão na praia de Itaipuaçu, numa reunião do clube da lua, e indaguei-lhe a respeito da origem do documento, o que ele me respondeu ter-lhe sido entregue por Deise, que o tinha redigido nas noites de fruição endorfínicas de um relacionamento sem compromisso com um escritor maldito de contos repugnantes chamado Surfista Prateado, que este, por sua vez, adquiriu-o no período em que serviu em uma suposta frota intergaláctica, como espólio dum tal capitão Sheran, abatido em combate contra as forças… desculpe-me, só me recordo do número da divisão: seis. Lembro-me ainda de que mencionou certo Alano, ou Evandro, também não estou certo. Desculpem-me, caro leitor, as falhas de minhas memórias octogenárias e o fato de que, ao contrário de Deise, não costumo registrar o que me acontece em nenhum logbook. Não obstante todas essas considerações, é possível que tudo se refira a fatos inexistentes de histórias que nunca ocorreram e, portanto, me eximo de qualquer responsabilidade quanto a sua veracidade.



Enquanto ouvia a história contada por Etevaldo e fazia minhas anotações, percebi que ele usava algumas palavras com sentido bem específico, que só vim a compreender mais tarde ao revisar minhas notas. Havia uma curiosa distinção entre os conceitos de humano, humanoide, pessoa e clone. Não sei se as referências que foram feitas ao longo da narrativa são sempre coerentes e acertadas, porque as anotei enquanto ouvia, sendo que muita coisa foi acrescentada posteriormente, o que posso ter incorrido em equívocos. Infelizmente não posso garantir fidelidade absoluta do que passarei a descrever, em relação à verdadeira história que deve estar registrada em algum manuscrito em algum lugar desta, ou de outra galáxia qualquer.  Reitero minhas desculpas com o leitor por isso, que minhas anotações, certamente, não retratam ipsis litteris o manuscrito mencionado.



No texto a seguir, em que tento reconstruir o relato de Etevaldo, a palavra humanoide se refere a todo ser que se assemelhe ou mesmo lembre um humano, não sendo possível garantir que o seja. Seres humanoides são, portanto, qualquer bípede de corpo ereto, que possui dois olhos, um nariz e uma boca na face dispostos com a mesma ordem da face que o leitor reconheça, provavelmente, como sendo humana, pelo menos em um primeiro contato.



No exercício de sua cidadania, indiferentemente de sua realidade profunda, os humanoides são às vezes designados como pessoas. Assim, em alguns contextos do manuscrito, segundo meu entendimento, humanoides são pessoas, independente de suas origens, idade, sexo, saúde física ou mental e de serem ou não dotados de consciência própria; são seres supostamente morais, isto é, seres dotados de aparentes consciência moral, autonomia moral e responsabilidade, portanto de sociabilidade. Mesmo que a maioria deles possa nos parecer bem imoral, inconsciente e irresponsável. Enquanto pessoas, eles são dotados de maneirismos que se manifestam por meio de anseios por um suposto ideal de plástica superior, etérea, imponderável, numa tentativa desesperada de disfarçar a grosseria de seus corpos sem graça e espontaneidade, quando não de seu espírito. Pessoalmente, eu discordo dessa definição, porque considero alguns humanoides até que bastante sedutores embora não sejam poucas as recomendações de que sejam verdadeiras hienas e que sabem dissimular muito bem.



Humanoides imigrantes de outro sistema solar são designados diretamente como sendo extraterrestres, ETs, para diferenciá-los dos humanoides terrestres, que podem ser clones, projetos humanos ou humanos decaídos. Podem também, às vezes, receber a designação genérica de cefalopóides. Há de se considerar que muitos alienígenas se vestem da pele humana para se passarem despercebidos e constroem identidades falsas para si. Deve-se considerar também que existem comunidades humanoides que estudam séria ou dissimuladamente os extraterrestres, em geral para aliciá-los nos seus planos de domínio do planeta, se dividindo em dois macros grupos segundo o propósito de cada um: os ufólogos e os exobiólogos.

Um humano, ser humano, pessoa, gente ou homem é um animal membro da espécie de primata bípede Hetero sapiens, que vulgarmente quer dizer “espada", pertencente ao gênero Hetero, família Heterinidae. Embora os membros dessa espécie tenham um cérebro altamente desenvolvido, com inúmeras capacidades como o raciocínio abstrato, a linguagem, a introspecção e a resolução de problemas, seu maior destaque é a grandeza do coração. Esta combinação de inteligência e emoção viabilizou a formação de seres altamente desenvolvidos com um destino reservado apenas aos deuses do universo.



Devemos anunciar, também, os seres artificiais que têm sido usados em larga escala para destruição da espécie humana: os clones. Eles podem ser fabricados biológica ou eletronicamente a partir de uma célula matriz. O processo de clonagem tem sido realizado de forma cada vez mais frequente por incertos invasores terrestres na sua lida para dominar o planeta. Humanos costumam ser sequestrados, sumindo do mapa por cerca de três dias, tempo que pode passar despercebido pelos familiares dos desaparecidos, e retornam com uma cópia idêntica ao desaparecido para substituí-los e infiltrá-los nas famílias dos humanos, que com uma boa desculpa de viagem a trabalho ou outra aventura qualquer, conseguem disfarçar a substituição. Seus amigos e familiares só se dão conta quando percebem que eles começam a agir de maneira suspeita de uma hora para outra.



Feita essa apresentação inicial no intuito de tornar mais claro o relato que ouvi de Etevaldo, foi mais ou menos o seguinte que guardo de memória. Volto a salientar, no entanto, que talvez não seja toda a história: disse o narrador:




Quem são os terráqueos?
(resumo de “O Manuscrito” dito conter mais de 100 páginas)



A Terra é um dos raros planetas do universo onde existe uma diversidade muito grande de pessoas, podendo mesmo dizer que as incontáveis civilizações dos universos existentes construíram o céu na Terra. Objetivamente falando, isso significa dizer que há representantes de incontáveis civilizações planetárias em Gaia, algumas apenas como embaixadores de seus planetas de origem, outras como espiões, para relatarem o que acontece no planeta, monitorarem seus dias finais, até o último momento, quando tudo voar pelos ares, ou para o espaço, se quisermos ser mais exatos. Foi essa miscigenação de seres de toda parte do universo que suscitou o novo gênero que denominamos humano, temidos por uns amados por outros e odiados pela maioria. Em outros planetas, em geral, os seres são bem parecidos entre si, não há tanta diversidade como no planeta azul, e existem tantos planetas habitados no céu quanto é a diversidade de pessoas na Terra. Esses seres que vieram para Gaia em diferentes momentos de êxodos cósmicos, causados por eventos catastróficos no universo, podem se reencontrar aqui de diversas maneiras por uma característica dos seres de reconhecerem familiaridades mesmo sem se conhecerem diretamente. Alguns poucos se humanizaram, mas a maioria permanece apenas humanoide, seja alheio aos destinos planetários ou com um genuíno desejo de destruição da espécie humana.  Embora os humanos difiram mais dos humanoides que estes dos animais irracionais, essencialmente falando, apenas olhares mais atento são capazes de discernir os humanos dos humanoides. Exteriormente, não é fácil distingui-los, não há critério seguro para isso. As vidas humanas decorrem na mesma íntima insciência que a vida dos humanoides em muitos aspectos. As mesmas leis profundas que regem de fora os instintos dos humanoides regem também, de fora, a inteligência dos humanos, que parece não ser mais que um instinto em formação, tão inconsciente como todo instinto, menos perfeito, no entanto porque ainda não plenamente realizado.  Para atender a necessidade de reconhecimento de uns e outros, existe um curso disponível na Internet e em algumas comunidades secretas. Se o leitor se interessar, acesse https://nao_confunda_humano_com_humanoide.com.dp. O servidor do site encontra-se em um domínio paralelo.

O ser humano é uma “joia cósmica rara” # que foi criado e vive sob a proteção do senhor supremo de nome impronunciável na fonologia humana. Há quem pense que o homem é uma experiência que não deu certo. Isso não é verdade. Ele é uma experiência que está sendo genética e socialmente melhorada, e chegará o dia em que alcançará um estado de plenitude capaz de controlar o universo integralmente. Isso é o que se comenta por toda parte, nas mais estranhas línguas ou formas de comunicação, que se trata de uma espécie que está a ponto de revolucionar o universo por saber compreendê-lo e dar sentido a toda sua história pela primeira vez, se não for destruída antes, o que tudo indica acontecerá. Essa afirmação de Etevaldo não me pareceu fazer muito sentido; transcrevi-a, no entanto, como a ouvi.  O diferencial existente no ser humano é que ele constrói conscientemente sistemas nos quais se inserem como se fossem espécies de células, viabilizam macro organismos que atuam em um nível superior de complexidade, e podem exercer grande poder de transformação. Uma fala deveras simbólica. Fazendo uma analogia, acho que quis dizer que os humanos são building blocks de estruturas maiores, como chips de um computador cósmico. Por saberem se organizar dessa forma como nenhum outro ser, despertou inveja e ódio por toda parte, e esta é uma das razões pela qual se suspeita que a destruição iminente que os ameaça não se trata apenas de uma fatalidade.



Talvez tudo não passe de uma espécie de teoria da conspiração, a de que o mito humano resulte de um fenômeno originado da percepção que alguns seres tiveram da existência de uma verdade absoluta fundadora de uma nova espécie superior. Tal ideia sempre aborrece profundamente aqueles que não admitem tal possibilidade, e provoca-os ao ponto de intentarem contra essa experiência. Alguns humanoides, uma minoria, admitem a experimentação de semelhantes novas realidades pessoais, vivencia um contínuo despertar para a compreensão da necessidade inelutável de uma verdade suprema, designam-na como condição necessária para a realização de uma vida honesta. Com isso, candidatam-se a galgarem ao domínio do gênero humano, a única espécie em todo o cosmo que goza da certeza profunda de que a vida tem sentido e se baseia em fazer o bem. Os humanoides, por outro lado, apresentam um modo de ser em que se percebe nitidamente que seus atos independem de sua vontade e de suas próprias decisões, o que os conduzem irremediavelmente para o lado negro da força.

A espécie humana superou diversas intempéries ao longo de sua evolução até chegar ao estágio atual. Diversas eras em que a superfície do planeta foi destruída por grandes enchentes, choques de meteoroides gigantes, vulcões, explosões solares, eras glaciais, etc., que devastaram várias civilizações até que cataclismos globais deram uma trégua ao planeta nas últimas centenas de milhares de anos. Em consequência, a maioria dos humanos remanescentes é originária da África oriental de um povo que lá vivia há cerca de duzentos mil anos. Atualmente, eles se distribuíram por toda a Terra e constituem cerca de 5% da população total do planeta, os 95% restantes sendo humanoides de diversas origens planetárias ou clones manufaturados nas profundezas do planeta. Alguns grupos humanos também podem ser encontrados em outros sistemas estelares, em viagens interplanetárias, ou prisioneiros nos submundos terrestres. Estima-se atualmente que existe cerca de 350 milhões de humanos legítimos no planeta.



Embora sejam sociais por natureza, as recentes ameaças de extinção da espécie têm tornado os humanos mais reservados. Os ataques chegam de todos os lados, da mídia escrita e falada, através dos sofisticados sistemas de comunicação existentes. Embora haja muita inimizade entre os humanoides cujo grau depende de suas procedências, eles costumam se unir em torno do propósito de destruição da espécie humana, considerada o inimigo maior. Eles costumam se organizar para trocar ideias e criarem complexas estruturas sociais, algumas cooperantes, outras concorrentes, visando restringir o desenvolvimento dos humanos, apesar de algumas divergências internas naturais.



A resistência humana a este ódio intrínseco dos humanoides se apoia na preservação de antigas  tradições,  rituais,  normas sociais e éticas,  leis e valores, que em conjunto tem formado a base da sociedade humana por séculos, sendo transmitidas de gerações em gerações. A cultura humana assim preservada é o principal baluarte contra as ameaças alienígenas, que fazem uso cada vez maior, inclusive, de uma literatura repugnante e da música funk para destruir sua resistência.



Certa vez, Etevaldo disse ter assistido a uma conferência em que um senhor de barba grisalha de sete dias e de unhas verdes discorria sobre o conhecimento da natureza dos seres, e ele perguntou-lhe: “E como é isso?”. O estranho senhor,  que posteriormente vim a saber se chamava Dr. Marciano, lhe disse:



“Sobre a superfície livre do planeta onde um dia se pensou criar o paraíso, ou em seu interior cavernoso, não existe um lugar, um recanto, uma ilha sequer, onde os humanos possam viver plenamente, livres da influência malévola dos humanoides, que por inveja e despeito, tramam o seu fim. O local parece um zoológico humanóidico, onde impera a esperteza, a malandragem e a baixeza, evidenciando um cenário sub-humano. Daqui de onde os observo, estando como fora dessa multidão policrômica que se agita movida por forças alienígenas e sinistras, percebo-me como um ente de outra estrutura, sem nada em comum com eles.”



O engraçado nos humanoides (digo "engraçado", mas quero dizer "trágico") é que, sobre os assuntos que realmente afetam sua vida, eles se omitem, dão de ombros, se alienam... mas sobre "os outros", o modo de vida "dos outros", especialmente dos humanos, aí adoram saber, opinar, se meter... fazem os mais estapafúrdios julgamentos com uma "sabedoria" impressionante... O ser humano é, pra mim, a maior incógnita do Universo. Ainda não sei se a espécie humana realmente se viabilizará neste planeta, especialmente face as ameaças iminentes que recaem sobre ela, com o mal prevalecendo sobre o bem.



“A geografia da consciência humana se espraia em diferentes dimensões do universo físico. O espírito humano é uma matéria real que se origina em espaços dessas diferentes dimensões. Trata-se de espaços reais como o espaço onde as coisas materiais se estendem. São diferentes dimensões ocultas desse espaço que nos é tão familiar. Em uma dimensão vive nosso corpo, em outra nossa alma. E há outras dimensões onde experimentamos outras realidades. Realizamos nesse complexo organismo orgânico a convergência de diversas dimensões físicas e extrafísicas.”



Assim é que, segundo o senhor de unhas verdes, em um distante planeta de um remoto sistema solar nos confins da Via-Láctea, ou seja, na Terra, proliferou esse povo que fez uma opção pela paz e o bem. O povo que goza de uma profunda convicção da existência de um soberano bem que domina sua alma, bem este gerador de uma nova espécie a que chamam tão simplesmente humanos.



Não estava entendendo nada. Pela Virgem de Fátima que previu três dias de completa escuridão quando o planeta atravessasse o cinturão fotônico nos fins da era de peixes, que estava achando tudo muito chato, mas continuei a fazer minhas anotações porque tem muita gente que gosta dessa baboseira e meu plano era ser futuramente um escritor, precisava desse tipo de referências. O senhor de barba branca de sete dias, o Dr. Marciano, prosseguiu discorrendo sobre essas inutilidades práticas e eu continuei acompanhando sua fala, cada vez mais repetitiva e enfadonha. Escrevia mais por falta do que fazer do que propriamente interesse no assunto. Apesar de dizer tantas coisas sem sentido, havia algo nele que cativava as pessoas a seu redor. O que será isso nas pessoas, à exceção dos humanos, que as fazem dedicarem horas de suas vidas ouvindo um idiota falar invencionices como se fossem verdades essenciais para sua existência? Ah, essa paixão humanoide pelas narrativas que lhes sedam as almas!



“Os humanos são, muito provavelmente,” continuou o barbudo doutor, “nativos desse planeta azul, mamíferos inequivocamente associados a esse rincão da Via-Láctea. Eles são raros em qualquer outra parte do universo. Algo aconteceu há cerca de cinco mil anos atrás nesse planeta, uma conjunção de fatores favoráveis, inexplicáveis a maioria deles, quase um milagre, alguns dizem, que fez surgir inesperadamente um ser capaz de falar por intermédio de metáforas e expressar-se artisticamente de forma singular.” Não sei explicar por que ele mencionou estas qualidades quando existem tantas outras mais essenciais. “Eles construíram pirâmides, catedrais, máquinas e lançaram-se no espaço para uma conquista que se insinua irreversível. Repare, prezado leitor, que os humanos acreditam no futuro como nenhuma outra espécie. Suas referências existenciais são sempre buscadas no futuro. Eles se formaram à imagem e semelhança do universo, ao contrário dos demais seres que são verdadeiros abortos da natureza.  Isso não é unanimidade, obviamente. Os humanoides contestam violentamente a hipótese de que a natureza humana difira substancialmente da deles, e que de maneira alguma haja algo de melhor nela. Alegam que, se for verdade essa correlação imagem-semelhança, a alma humana deve ser hostil como de resto todo o universo.”



Os seres humanos sabem como ninguém enfrentar as adversidades da vida, e superá-las, prosseguindo na construção de um mundo cada vez melhor que os tornarão em um futuro não muito distante, na civilização mais poderosa e adorada de todo o universo. Entre seus atributos encontram-se o de compreender quando a vida lhes golpeia, tirando disso uma lição de vida, aceitando as mudanças da sorte. Eles conseguem ser humildes quando querem, e sabem receber sofrimentos com amor. Depois do fato ocorrido, eles sempre se adaptam e acabam concluindo que foi bom o que lhes sucedeu; o que é uma característica deveras irritante para as outras espécies, a dos humanoides, que se irritam profundamente com esse complexo de superação humana. Eles sabem que são tidos como ameaças à sociedade humana e que só pensam em dificultar seu progresso. Sabem que os humanos os consideram feito grous que adotam sua forma com o intuito de roubar-lhes a alma. Que pensam ser bem diferentes do que consideram seres inferiores, por acharem-se detentores de uma insólita capacidade de saber equilibrar o que é natural em si com a artificialidade de suas convenções sociais. E o que é aquilo de ficarem questionando o que fizeram ou deixaram de fazer? De ruminarem o que fizeram, e o que poderiam ter feito, de não deixar o passado no passado e de jamais esquecerem? O que ganham em manter presente o passado? Os humanoides, em geral só se arrependem do que não fizeram.  



O pensamento humano é de uma complexidade singular. Suas mentes privilegiadas funcionam com base em sinapses, que se propagam nervosamente buscando um consenso. Quando este é alcançado, um sibilante sinal sonoro em forma de “Yeeeeeeeeeeeeeeeah!”, é disparado a menos de zero decibel em frequência de 100khz, só ouvida por golfinhos, indicando que da mente fértil brotou uma ideia.



Alguns cientistas categorizaram o humano como sendo uma propriedade emergente da natureza, que é um fenômeno que surge quando um sistema se torna suficientemente complexo, quando ele transcende seus constituintes. Consideram, assim, os humanos como um estágio especial de desenvolvimento das criaturas do universo, sejam elas naturais ou artificiais. A consciência, por exemplo, não parece ser redutível a seus processos físicos e químicos no corpo humano, ao contrário, são as crenças e os valores que controlam o comportamento consciente, ao invés dos processos cerebrais físico-químicos subjacentes. A consciência é compreendida como uma propriedade emergente não existente em um baixo nível de complexidade, como ocorre no caso dos humanoides, por exemplo. O domínio da técnica, apenas, dificilmente viabiliza as condições adequadas para o nascimento do humano. O humano configura-se, segundo alguns cientistas, provavelmente da mesma espécie, no ser cósmico que atingiu o nível de complexidade em que emergiu a boa consciência. As propriedades emergentes dos sistemas geralmente se dão na passagem de escalas de dimensões bem específicas, quando novas leis dominam em novos níveis de complexidades. Algo equivalente a dizer que o todo é incomparavelmente maior do que a soma das partes.



“O conceito que os humanos fazem de Deus está relacionado com essa compreensão dos metasistemas emergentes, pois eles percebem que existência, conforme entendemos, só faz sentido na nossa dimensão de coisas. No infinitamente grande, em escalas universais, não sabemos o que isso significa. Daí, talvez, se dizer que Deus apenas é. Existência é uma metáfora em outras dimensões de escala no universo. Algo existir ou não é um ponto de vista, veja, por exemplo, a questão: a constelação do Cruzeiro do Sul existe? Sim, mas exclusivamente para quem olha dessa região do universo. Na nossa escala humana, talvez Deus não exista. Tendemos a ser reducionistas, argumentando que fenômenos de grandes escalas podem ser explicados pelo que acontece nas escalas menores. Leis científicas e princípios organizacionais que são irrelevantes em pequenas escalas cumprem seu papel em largas escalas, em geral de forma inconsciente. Nas dimensões subatômica, humana ou galáctica, o universo de desdobra diferentemente dependendo da escala. Cada escala de tamanho no universo é única, e devemos saber observar cada uma com sua característica singular.” Etevaldo não disse nada mas identifiquei sua fala com o pensamento de um cientista terráqueo que escreveu um livro do ponto de vista de alguém situado no centro do universo.



A humanidade se revela nos seres quando estes passam a controlar seus instintos primários, e isso é um acontecimento raro, diria mesmo, raríssimo no universo, se não for esta  que aqui abordamos a única ocorrência que se tem notícia. Casos existentes alhures são sempre associados a emigrantes terráqueos. Os humanoides são laboriosos autômatos, atolados em sua recorrente falsa consciência. A consciência humana, por outro lado, é um elemento essencial desse fantástico universo em que vivemos, porque ela permite ver a partir de uma perspectiva repleta de sutilezas e complexidade.



A vida dos humanoides tem pouco a ver com eles mesmos. Embora alimentem ilusões de que podem escolher o que fazer de suas existências, os processos biológicos de alguns são governados por códigos que representam o padrão planetário de suas origens, e suas ações são tão determinísticas quanto qualquer órbita de planetas. Em outros casos, seus corpos são usados como pele por alienígenas, manipulados como se fossem uma espécie de instrumento mecânico, ou controlados remotamente por entidades originárias de locais muito distantes de onde pensam viver suas vidas. Seguem programas estabelecidos por extraterrestres, por matrizes que habitam outras estrelas e dimensões. Movem-se por intermédio de fios invisíveis que os enredam na tessitura mecânica de um estranho destino, e cumprem cada qual um papel pré-estabelecido por determinações econômicas, geográficas, climáticas, históricas, sociais, familiares, etc., que à primeira vista nos parecem fortuitas, mas que foram cuidadosamente planejadas. Eles não precisam ter consciência de seus atos para cumprirem o propósito de quem os enviou. A personalidade de muitos está predeterminada desde sua criação. São espécies de marionetes e o livre arbítrio que pensam possuir faz parte do plano original que os controla, seus mentores supremos a quem, em última instância, devem ser responsabilizados por todo o mal que seus títeres causam ao planeta. E eles de fato manifestam externamente esse controle remoto, porque a sentem como uma força invisível a que não conseguem resistir, tornam-se desprovidos de vontade própria, impulsivos, parecem sempre ocupados, se sentem continuamente solicitados, sem tempo pra nada, monitorados, com pressa, ansiosos e com mania de perseguição.  



Os humanos, por outro lado, vivem plenamente, pois tanto é forte neles o viver que só em si mesmos encontram a razão e o fim de sua vida, sabem todos que devem continuá-la a qualquer custo, dando o máximo de si mesmos em prol de seus descendentes, com os quais compartilham um sentimento de permanência além do tempo próprio de suas vidas.



Falsos sentimentos são comuns nos humanoides e quando se tem um número grande deles juntos, uns ou outros, com a oportunidade frequente de se manifestarem, a possibilidade de falsos sentimentos aflorarem cresce exponencialmente. Os humanoides do tipo não humano possuem senso de merecimento de respeito exacerbado, desejo de manipulação e de tirar vantagens dos outros. São traços predominantes nesses seres, preste atenção prezado leitor, porque isso é importante, a obsessão com autoimagem, as amizades superficiais, intensa agressividade em resposta a supostas críticas feitas a eles, levarem a vida guiada por concepções altamente subjetivas de mundo, possuírem vaidade doentia, senso de superioridade moral e tendências exibicionistas grandiosas. Apreciam demais todo e qualquer propósito repugnante. São obscuros e disfarçam muito bem uma falsa dedicação animal subalterna.



É notório na expressão dos humanoides um aspecto de ser atormentado e sem uma convicção interior profunda de que a vida faz sentido.  São em geral mal humorados, zangados, reativos, ressentidos e rancorosos. Eles nunca conseguem tomar uma decisão sem falar alto o que estão pensando. É como se eles precisassem escutar o que decidiram, justificar perante as outras pessoas, para que eles mesmos acreditem que tal decisão deve ser tomada e eles não estão fazendo nada impensado, como se pensassem realmente, e fica parecendo até que a decisão foi tomada por outra pessoa, o que de fato o foi.



Um primeiro indicativo de que uma pessoa é um extraterrestre, posso adiantar sem necessidade de frequentar cursos mais aprofundados, é ela ter apenas um filho com cônjuge terráqueo, obrigatoriamente do sexo oposto do progenitor ou progenitora alienígena, uma das consequências naturais do modelo padrão que normatiza o relacionamento sexual na Terra entre seres de planetas diferentes, que tende sempre para uma situação de equilibrio de gênero na proliferação de etnias alienígenas. Alguns alienígenas conseguem se naturalizar depois de chegarem à Terra e, depois de terem um filho com algum terráqueo, o que lhe viabiliza a naturalização, separa-se desse terráqueo e geralmente se acasala novamente com outro ET para procriarem à vontade sem restrições de gênero.



Os humanoides têm o estranho costume de falar sozinhos. Eles não sabem pensar silenciosamente, como os humanos, precisam estar sempre emitindo ou ouvindo algum som. Pode-se saber sem sombra de dúvida que são humanoides as pessoas que falam sem parar ou estão sempre ouvindo alguma coisa quando sozinhas. Se estando a sós, ainda assim continuam falando, então, pode saber que se trata de um humanoide e que sua unidade de processamento central entrou em pane, comprometendo seu equilíbrio pessoal e a voz que se ouve é uma decodificação de comandos alienígenas.  O sistema opera como se fosse uma mensagem que estão recebendo e que eles repetem para si mesmo tentando captar o sentido. Poetas, em geral, falam disso como se fosse uma música e pensam que se trata de musas inspiradoras, uma espécie de música hipnotizadora.



Um exemplo que ilustra bem o que é ser humano pode ser encontrado na obra literária “Os Miseráveis” de Victor Hugo. A obra conta a história de Jean Valjean, um homem que foge da prisão e reconstrói a vida através do trabalho. Em dado momento ele encontra uma criança chamada Cosette. Os donos da pousada em que Cosette morava ficaram responsáveis pelos cuidados da menina a pedido da mãe. Solteira e com um bebê, ela não conseguiria emprego, de modo que pediu ajuda a família que receberia boa quantia em dinheiro para cuidados da menina. Os donos da pousada, contudo maltratavam e exploravam Cosette, fazendo-a trabalhar como escrava e utilizando o dinheiro recebido em interesse próprio. Ciente dos maus tratos Jean Valjean compra a menina e foge com ela para Paris. Por ser um condenado perseguido pelo chefe polícia, Jean vive com Cosette uma vida discreta, um tanto isolada e sempre adotando nomes falsos. O tempo passa e Cosette se torna uma linda mulher que se apaixona pelo jovem Marius. Muitas coisas acontecem, até Jean descobrir o amor secreto de Cosette e Marius. Por estar sempre prestes a ser capturado pela polícia, Jean apoia o casamento dos jovens, para que Cosette tivesse uma vida segura. Após o casamento confessa a Marius sua origem, a de Cosette e confessa amá-la como homem e não pai... O resto da estória não conto, mas o que me chamou atenção foram as escolhas de Jean. Após salvar a criança Cosette da exploração pelo trabalho, Jean tinha o poder de aproveitar-se da jovem, pela qual sentia atração e afeto, pois a criou, mas fez uma escolha, o que o levou do estado da bestialidade ao dever, do apetite à consciência, do instinto humanoide ao humano, de alguém que pensa, que sente também com o coração, não somente com os hormônios.



Por outro lado, um exemplo que ilustra bem o que não é ser humano pode ser encontrado no conto literário “Eugênia”, de Carlos Rosa Moreira, conforme interpretação de Altair, uma leitora humana#. Leia sua opinião: “Não se pode considerar humano e nem achar bela a imagem de pais que se relacionam sexualmente com seus filhos. É claro isto acontece, mas nem por isso é belo. Minha opinião é que é doentio, além de criminoso. Doentio, pois um adulto que necessita se aproveitar da força e do poder (físico ou psicológico) que exerce sobre a criança que criou para obter sexo, é um desajustado que não consegue se encaixar na sociedade humana.  Ou seja, é incapaz de conseguir um parceiro que o satisfaça sexualmente. É um crime pois também impede que esta criança o faça. Sendo assim, o ato da mãe que justifica suprir seu filho com sexo para que este seja feliz não é humano, é animalesco e doentio. Esta mãe poderia ser bela, mas era desajustada socialmente. Ela poderia apresentar ao filho tantos outros prazeres (não sexuais) que a vida oferece... Não tenho conhecimento para fazer uma análise mais profunda, mas para mim pais assim tem sérios problemas.  Também não entendi a associação que se fez daquelas atitudes deploráveis como sendo atitudes humanas. Para mim as personagens do conto tinham atitudes repugnantes.”



Passemos, então, à caracterização geral dos seres e suas procedências, já que cada planeta tem uma mente que determina a natureza dos seus nativos. Inicialmente, devemos informar que os seres são sempre criados em pares, não importa se humanos ou humanoides. Inúmeros exemplos comprovam esta grande verdade da natureza, como casos de mórbidas semelhanças entre gêmeos que sequer suas mães conseguem diferenciar um do outro, sósias que são tomados de horror quando se conhecem e depois não conseguem mais se separar, incontáveis casos de pluralidade de identidades, etc., isso no plano biológico, porque no que diz respeito às duplicidades de alma as evidências nem sempre são diretas.  



Cada humanoide carrega uma marca quase imperceptível que os identifica em relação ao planeta de onde vieram. Isso aplica até mesmo aos humanos, porque alguns deles têm antepassados alienígenas e conseguiram transmutar-se em humanos. Essa mutação é rara, mas pode acontecer, porque humanizar-se é um processo alquímico de transformação interior.



Geralmente, seres de uma mesma espécie, de um mesmo planeta, tendem a ser solidários entre si, mesmo que inconscientemente, sem saber a priori que atuam em um mesmo programa de seu planeta de origem. As poucas pessoas que percebem que atuam segundo um padrão comum com outros semelhantes, começam a se questionar a ponto de chegarem a reconhecer afinidades, descobrir razões subjacentes de seus atos, indagam sobre sua procedência e passam, algumas vezes, a perseguir uma religação cósmica do seu ser com o planeta nativo, o que vem a ser seu primeiro passo no caminho da humanização, para aqueles que almejam este tipo de transmutação. Algo como confessar o pecado para ser perdoado do cristianismo.



Quando encontramos duas pessoas parecidas na Terra, elas provavelmente vieram ou são descendentes de seres de um mesmo planeta. A gente sabe quando elas têm uma origem comum quando vemos uma e nos lembramos de pronto da outra. Tais seres podem ser encontrados em várias formas e estados. Assim, não é raro que as semelhanças ocorram tanto no plano físico como espiritual. Podemos encontrar seres de diversos planetas andando pela rua, cada qual com seu tempo característico, às vezes a mesma pessoa em tempo diferente de sua existência, em sonhos ou em muitas situações inesperadas do nosso dia a dia.



O caráter das pessoas é uma combinação complexa que depende do tipo espectral da estrela central onde ela nasceu; o número de luas que giravam em torno de seu planeta natal e da abundância química da nuvem que originou seu sistema planetário. Pode até não ter sido elas que migraram pelo cosmos em direção a este planeta, mas algum antepassado delas, se elas alegarem não saber nada a respeito. As pessoas evitam falar sobre isso. A verdade é que a Terra é uma espécie de terra de ninguém cósmica, uma zona franca existencial, um faroeste sideral. Muitos que querem começar uma nova vida vêm para cá, foragidos, alheios a qualquer plano sistemático de conquista ou destruição. E fazem questão de que as gerações posteriores esqueçam suas origens para evitar algum tipo de abdução inesperada.



E assim procede a identificação dos seres em geral: quando as pessoas são diferentes, mas existe afinidade entre elas, embora se diferenciem fisicamente, muito provavelmente elas vieram do mesmo sistema estelar. Facilmente se estabelece entre elas certa cumplicidade, certa simpatia instantânea. Quando sentimos atração física por alguém, isso pode significar que originamos de um mesmo sistema estelar, embora não necessariamente de um mesmo planeta, dependendo da intensidade da atração. Quanto maior o número de estrelas em um sistema, maior a diversidade de atrações. No caso do sistema solar, por exemplo, que não se tem certeza se existe uma companheira anã do Sol, os seres originários deste sistema vivem uma espécie de ambiguidade emocional. Os seres provenientes de sistema duplos, ternários, etc., geralmente têm muita dificuldade de se aterem a relacionamentos sexuais com apenas uma pessoa, havendo uma propensão a se relacionarem com tantas pessoas quantas forem as estrelas de seu sistema de origem, independente do fato de todos sejam gerados aos pares.



Alienígenas originários de sistemas planetários em que a estrela central irradia principalmente em raios X desenvolveram a visão nessa faixa do espectro eletromagnético pela mesma razão que os terráqueos enxergam melhor a luz mais intensamente irradiada por seu sol. Os olhos dos seres vivos têm capacidade de se desenvolver para captar radiação que esteja mais disponível pelo seu ambiente. Por conta disso, tais seres que não tem nada de super homens, muito ao contrário, costumam ser contratados como fiscais nos aeroportos e espaçoportos terrestres. Os raios X diferem da luz visível apenas no aspecto do seu comprimento de onda; a luz visível tem comprimento de onda de alguns décimos de milionésimos de metro enquanto os raios X medem menos de um centésimo de milionésimo de metro.



Analogamente, por terem sido gerados sob condições ambientais diferentes, os seres de outros planetas muitas vezes vêem a realidade de maneira diferente da dos terráqueos. A exemplo dos animais, o gato por exemplo, que muitas vezes surpreendemos com os olhos fixos no espaço, sentados por longo tempo no vão de uma escada ou dissimulando uma preguiça traiçoeira de cima do sofá. Sabemos que eles vêem coisas que sequer imaginamos, como seres alienígenas que são. Uma amiga minha oriunda da Super Terra possui sete desses bichanos em sua casa e todos a temem na vizinhança pelas coisas extraordinárias que testemunham acontecer em sua morada.



Alguns seres são feitos de luz e, por isso, são transparentes para os humanos. Têm um estranho poder de absorção dos pensamentos e sentimentos dos outros, o que faz com que se pensem que eles sejam espíritos desencarnados de parentes e conhecidos, porque ao nos aproximarmos deles, projetamos nossas próprias expectativas em relação ao que poderiam ser tais seres. Alguns desses seres de luz se divertem com essa situação e se fazem passar por entes mortos queridos dos consulentes. São incontáveis as quantidades de mundos paralelos, de seres sombrios formados de matéria não bariônica, matéria escura, que fazem investidas em nossa dimensão na expectativa de criarem um link permanente conosco.



Três povos distintos predominam entre os terráqueos e formam a base do que veio a compor a complexidade de seres no planeta Terra, resultado da conjunção de três diásporas: a dos povos que fugiram da colisão entre duas galáxias do aglomerado de virgem; a dos fugitivos de uma explosão de uma estrela supermassiva na própria via-láctea, nas coordenadas de (-253.45°, 63.39°), em longitude e latitude celestes; e os exilados de Capela. A miscigenação terrestre é extraordinária, e sua maior concentração se situa no Brasil, especificamente no Rio de Janeiro. O maior índice de miscigenação cósmica se encontra na cidade fluminense de Niterói. São raros os humanos nessa cidade papa goiaba, onde grassam a dualidade, a ambiguidade e tudo aquilo que os humanoides devem superar para se tornarem humanos. Há casos críticos de pluralidade que fariam Fernando Pessoa parecer a mais íntegra das personalidades humanoides. Dizem até que a dualidade cósmica nasceu ali, e se propaga de forma epidêmica numa velocidade taquiônica até um presumido estado de big rip pessoal, tendo já sido constatado alguns casos na região, mas essa é uma outra história que o autor dessa narrativa talvez não queira incluir na edição do seu primeiro livro.



Muitos dos que encontramos pelas ruas são viajantes do tempo, que vieram do futuro, por exemplo, para nos dizer alguma coisa e que, infelizmente, em geral, não conseguem ser bem sucedidos. Pode ser que encontremos a nós mesmos, vindo do futuro. Esses seres são, em alguns casos, confundidos com anjos, mas anjo é outra coisa. Os anjos vêm de um planeta específico comandado por um senhor muito dominador. Esses só se deixam ser vistos quando querem, ao utilizarem uma técnica de manipulação da energia biolétrica patenteada em seu planeta.



Alguns seres transcendentais não são percebíveis por meio dos sentidos ordinários, o sendo apenas através de outros canais como, por exemplo, os sonhos dos humanos ou dos humanoides. Tais seres são facilmente identificáveis porque são sempre anônimos nos sonhos e estão sempre presentes, como uma sombra. Quando finalmente se consegue identificá-los e interagir de forma mais eficaz com eles  nos sonhos, no caso dos humanos, e despertos, no caso dos humanoides, grandes transformações se ensejam na vida dos que experimentam esse fenômeno. Eles são os guardiães de novas dimensões existenciais, sejam lá o que isso significa.



Alguns humanoides são procedentes de universos paralelos e de uma era que vai além do big bang, a explosão primordial que deu origem a este universo em que vivemos. Sua energia biolétrica resistiu intacta à grande ruptura cósmica que ocorreu no big bang. Procede desses sobreviventes o relato de que antes de criar o mundo, Deus se ocupava de criar o inferno para aqueles que o importunassem com perguntas impertinentes.



Um povo extraterrestre que tem aumentado significativamente nos últimos anos na Terra são os arquilianos. Eles usam traje humano mecânico, em outras palavras, vestem a pele de humanos, que é usado para proteção e locomoção, o que também serve para esconder sua verdadeira forma. Grande parte da sua energia é consumida para conduzir o traje mecânico, e, por conta disso, muitos usam um piloto automático para tornar a vida mais fácil. Para fazer o traje humano funcionar sem levantar suspeitas, eles necessitam de atualizações frequentes do software de seu cérebro. Chico Mendes e Chico Buarque são exemplos de personalidades arquilianas, embora o fato de ambos se chamarem Chico seja mera coincidência, nada tendo a ver com nome genérico para essa espécie. Roberto Carlos também é uma personalidade arquiliana, mas isso nunca foi segredo para ninguém. Outros exemplos de extraterrestres são os Fmeks, inimigos viscerais dos arquilianos,  cujas celebridades que os representam no planeta Terra são o ruralista Ronaldo Caiado e o cantor Reginaldo Rossi. Vale mencionar também a presença significativa dos modernos alienígenas cinzentos greys.



Deve-se ter cuidado nas conversas com os terráqueos porque a gente nunca sabe se estamos falando com um humano ou com um humanoide e, em geral, esses últimos não primam pela franqueza. Há uma ambiguidade esquiva, mas sistemática. Houve um momento remoto na história do planeta Terra em que surgiu um movimento libertário entre os humanos com o objetivo de exterminar os humanoides. O foco foi identificado e eliminado sigilosamente, sem muito estardalhaço. O questionário que eles usavam para identificar quem não era do gênero humano foi preservado e continha elementos supostamente suficientes para identificar os extraterrestres e clones.



Antes de apresentar o questionário, no entanto, vale a pena mencionar uma informação adicional sobre os clones. Uma grande quantidade de pessoas que vemos no mundo são de fatos clones usados para substituir as pessoas originais. As pessoas originais que foram trocadas por clones foram levadas para o interior do planeta onde existem, como à superfície, cidades, campos, rios, bosques e desertos, um mundo em tudo cópia e reflexo deste em que vivemos, criado por senhores sombrios para fazer experiências com os seres humanos, visando seu completo aniquilamento e substituição por uma outra espécie de habitantes. Todo este plano está mancomunado com governantes de diversos países.



A espinha dorsal do plano de destruição dos humanos pressupõe o mínimo de informação sobre a presença de alienígenas na Terra. Após terem dominados o governo das principais potências internacionais, com o mínimo de estardalhaço, elegendo seus representantes em países democráticos e galgando o poder pela força onde se fazia necessário, os representantes na Terra dos senhores supremos se empenham, por meio de campanhas governamentais, em programas de imbecilização da população e esquecimento de suas origens planetárias.  Para isso, contam com super produções hollywoodianas com o objetivo de convencer a população que senhores supremos como Galactus, o devorador de mundos, por exemplo, já teria sido destruído por heróis fictícios, embora sua destruição tenha sido apenas insinuada em uma de suas releases.




Anamnese para identificação de ETs e clones:



Eis o questionário a que se atribuía 96,67% de probabilidade de sucesso no reconhecimento de um extraterrestre ou do clone de alguém que foi substituído pelos ETs da destruição. O questionário era usado no manuscrito original para identificar de fato os humanos, e foi adaptado posteriormente pelos humanos para aplicação reversa.




  1. Nome:
  2. Data de Nascimento:
  3. Local:
  4. Sexo:
  5. Se do sexo feminino, você alguma vez esperou a chegada de um príncipe encantado em sua vida?
  6. Quantas certidões de nascimento você tem?
  7. Estado Civil:
  8. Quantidade de filhos e filhas:
    1. Filhos:
    2. Filhas:
  9. Qual a recordação mais antiga que você se lembra? Descreva:
  10. Você já solicitou atestado de sanidade mental alguma vez?
    1. Caso afirmativo, quando?
    2. Por quê?
  11. Você acredita em discos voadores?
    1. Em caso afirmativo, já viu algum?
    2. Já fez contatos com ETs?
    3. Qual o grau do contato?
    4. Descreva sua(s) experiência(s):
  12. Você aprecia literatura repugnante?
  13. Você ouve mais do que fala, em geral?
  14. Você acha necessário tomar banho todos os dias?
  15. Você é um alienígena?
    1. Em caso afirmativo, declare-se:
  16. Você é um clone?
    1. Em caso afirmativo, declare-se:



O questionário passou a fazer muito sucesso também entre as pessoas sem alma, porque elas acreditavam que respondendo-o e sendo diagnosticado como clone, haveria salvação possível para si, mesmo sem alma, pelo simples fato de terem tomado consciência de sua condição. O instrumento funcionava como uma espécie de mapa astral tamanha era a desorientação geral dos seres.  



Os alienígenas chegam à Terra de duas maneiras possíveis: após uma gestação geralmente de nove meses das mulheres#, que nunca são humanas, ou viajando pelo hiperespaço, pelo comumente chamado buracos de minhocas. Migrações clandestinas interestelares existem, mas é rigorosamente vigiada e os infratores punidos exemplarmente.



Embora a imigração de extraterrestres seja controlada de maneira muito rigorosa, observa-se cada vez mais relatos de alienígenas que burlam o sistema de detecção terrestre e fazem incursões nas cidades do planeta. Há uma grande diversidade de alienígenas de todos os tipos, desde aqueles com poder intelectual admirável a aqueles que são verdadeiros idiotas, alguns exibem ferramentas e equipamentos avançados em questão de tecnologia e outros, ao contrário, encontram-se em estágios bem primitivos. Apresentam-se com grande diversidade de características físicas, estatura que variam de 60 cm a 2,20 m, membros e cabeça desproporcional ao corpo; em geral, mostram narinas de todos os tamanhos, cor de pele com tonalidades marcantes podendo ser verdes, cinzas e com olhos extremamente grandes e linguagens incompreensíveis. Obviamente, aqueles que são aceitos como imigrantes na Terra passam por cirurgias plásticas para passarem despercebidos, principalmente mudando suas cores, seus olhos de insetos e orelhas pontiagudas.



Prezado leitor, espero sinceramente que você tenha tempo de concluir a leitura desse relato, talvez encontrando uma forma de fugir desse planeta antes que seja tarde demais.



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